Time Brasileiro melhora desempenho no Mundial de Escalada e mira no Panamericano

O Campeonato Mundial de Escalada em Hachioji no Japão está perto do fim. Faltam apenas as finais masculinas do Combinado pra definir os últimos campeões e classificados para os Jogos Olímpicos de 2020. Para o time brasileiro, é hora de analisar os resultados e olhar para o futuro, para o Panamericano de Los Angeles, nossa melhor chance de conquistar uma vaga olímpica.

O Brasil no Mundial

Esse ano o time brasileiro no Mundial de Escalada foi menor do que em 2018, que contou com 8 atletas, 4 no masculino e 4 no feminino. A aposta foi focar nos atletas que poderiam trazer o melhor resultado possível no Combinado e, apesar de ainda não termos conseguido o que poderia ser considerado o ideal, nossos atletas conseguiram superar algumas marcas de 2018 e demonstraram que há ainda bastante espaço para a evolução.

Felipe Ho nas qualificatórias do Boulder (Foto: Eddie Fowke/IFSC

No masculino, Felipe Ho foi o melhor brasileiro no Combinado, ficando na 63ª colocação, 7 posições à frente do seu resultado em 2018, mas ainda sem superar a marca de Cesar Grosso naquela oportunidade, que ficou na 62ª colocação. Cesar regrediu um pouco e terminou na 66ª posição. Os dois atletas contudo tiveram resultados em algumas modalidades que não refletiram muito bem suas capacidades.

Na velocidade Cesar não conseguiu encaixar um tempo dentro do seu habitual. Dono do recorde brasileiro com 7.14s, Cesar teve problemas na sua primeira tentativa, não marcando tempo válido, e na segunda tentativa acabou cometendo pequenos erros que acabaram o deixando com o modesto tempo de 9.2s, terminando assim na 78ª colocação. Caso Cesar tivesse repetido o tempo que vinha marcando nas etapas da Copa do Mundo ele teria terminado entre os 50 melhores na modalidade, o que o teria impulsionado para os 50 primeiros no Combinado.

Cesar Grosso nas qualificatórias da Dificuldade (Foto: Eddie Fowke/IFSC)

Já Felipe Ho teve um bom desempenho no Boulder, mas que não se converteu em um bom resultado. Felipe terminou a disputa com apenas a zona em 2 boulders, mas chegou muito próximo de conseguir o Top nos dois problemas, caindo na última agarra nos boulders B2 e B3. Com 1 top e as 2 zonas ele teria ficado à frente de Cesar, que terminou na 69ª colocação. Se tivesse encaixado os 2 tops teria se colocado entre os 40 melhores na modalidade. Foi por pouco, mas o pouco faz muita diferença em competições desse nível.

Thais Makino nas qualificatórias da Dificuldade em Hachioji

No feminino, Thais Makino conseguiu melhorar sua marca em relação à 2018. Ela saiu da 60ª colocação para a 58ª. Parece pouco, mas levando em conta que o número de atletas disputando o Combinado esse ano foi maior, a melhora de Thais é mais significativa do que aparenta. Nas modalidades Thais foi melhor no Boulder e perdeu um pouco na Dificuldade em relação ao Mundial de 2018, mas foi na Velocidade que veio o maior avanço. Com o tempo de 13.06, novo recorde brasileiro, Thais se colocou na 63ª posição, 13 colocações a mais que em 2018 quando terminou na 79º.

Já Bianca Castro, estreando em um Mundial e ainda com pouca experiência em competições internacionais, terminou na 61ª colocação no combinado, o que iguala os resultados femininos de 2018. Contudo é preciso destacar que os primeiros contatos de Bianca com a modalidade velocidade foram ainda esse ano e há bastante espaço para melhorar nessa modalidade, levando em conta a curva de aprendizado dos demais atletas brasileiros. Se por um lado a Velocidade pesou para Bianca, na Dificuldade ela escalou muito bem e trouxe pra casa o melhor resultado feminino das últimas duas temporadas, uma ótima 59ª colocação, e ainda com uma boa expectativa de melhora com o ganho de experiência nas competições internacionais.

Bianca Castro nas qualificatórias do Boulder

Levando tudo isso em consideração, ficou claro para a Comissão Técnica presente em Hachioji que o time brasileiro tem ainda bastante espaço para melhoras em todas as modalidades, o que deve trazer ainda grande avanço de resultados no combinado, que vai ser de crucial importância na disputa da vaga olímpica.

E daqui pra frente?

Olhando um pouco à frente, para o Panamericano em Los Angeles no início de 2020, nossas chances começam a ficar melhor delineadas. Já está bastante claro que o Pan é nossa única chance real de estar de volta ao Japão em 2020, dessa vez para os Jogos Olímpicos, e os resultados desse Mundial já começaram a pavimentar um caminho mais acessível para o Brasil.

O Panamericano vai distribuir apenas 1 vaga para Tóquio 2020. Apenas o campeão e a campeã do Combinado carimbam o passaporte para os Jogos, no último evento qualificatório para os atletas das Américas. E dentro do nosso continente, os EUA conta, indiscutivelmente, com o time mais forte. Se os norte americanos estiverem presentes no Pan, em busca de uma vaga, nossas chances diminuem muito. Contudo, existe uma grande probabilidade de os norte americanos chegarem ao Pan com as suas cotas (2 por país por sexo) já preenchidas, o que tiraria eles da disputa por essa última vaga nas Américas e isso já começou a se desenhar neste Mundial. Entre os 10 que já tem vaga assegurada, 2 são das Américas.

No feminino, Brooke Raboutou se classificou entre as mulheres e já ocupou uma das duas vagas dos EUA. Apesar de ainda não ter classificado as 2, o que já deixaria as americanas de fora do Pan, o Mundial ajudou a deixar mais claro quem serão as 20 atletas a disputar outras 6 vagas no evento seletivo em Toulose, em novembro. Na provável lista do feminino estão 3 norte americanas: Ashima Shiraishi, Kyra Condie e Margo Hayes. Não é difícil imaginar uma delas garantindo a última vaga norte americana, fechando assim a cota. Além das 3 norte americanas, devem estar presentes também em Toulose em busca de uma vaga a canadense Alannah Yip e a equatoriana Andrea Rojas. Alannah terminou em 14º no Mundial e tem chances reais de conseguir uma vaga em Toulose. Para Andrea a tarefa é um pouco mais difícil mas não impossível, o que diminuiria ainda mais a concorrência para as brasileiras. Mas isso não quer dizer que vai ser fácil, já que temos a argentina Valentina Aguado e a chilena Alejandra Contreras que não devem ir a Toulose e terão no Pan sua única chance de chegar aos Jogos.

No masculino, talvez o maior nome das Américas, o canadense Sean McColl, já assegurou sua vaga para Tóquio no Mundial, deixando o Canadá com apenas 1 vaga para preencher, algo que eles devem buscar no Panamericano, já que o Canadá não tem nenhum atleta na briga por vagas em Toulose. Os EUA não conseguiu ainda vagas no Mundial, mas os resultados deixaram 3 norte americanos com o pé em Toulose: Nathaniel Coleman, Sean Bailey e Rudolph Ruana. A torcida é para que eles consigam preencher suas cotas em Toulose e não precisem mais disputar a única vaga no Panamericano. A principal disputa dos norte americanos em Toulose será com os franceses, os alemães e os italianos, todos países que já garantiram a primeira vaga para Tóquio no Mundial e só poderão ocupar no máximo 3 das 6 vagas disponíveis em Toulose. Isso pode ser extremamente benéfico para os EUA já que os seus atletas não precisariam necessariamente ficar entre os 6 primeiros para conseguir uma vaga. Caso os EUA consiga completar sua cota em Toulose nossos grandes adversários no Panamericano de 2020 na disputa da vaga seriam os equatorianos. Danny Valência e Carlos Granja tem conseguido bons resultados, inclusive nesse Mundial. Danny ficou em 1º no último Panamericano, com dois norte americanos nas 2ª e 3ª posições, Carlos Granja em 4º e Cesar Grosso em 5º. Com certeza não será fácil bater os equatorianos, mesmo na ausência dos norte americanos, mas é algo completamente dentro das capacidades tanto de Cesar Grosso quanto de Felipe Ho. Essa será nossa melhor chance, resta esperar os resultados e começar a preparar desde já os nossos atletas para esse objetivo.

Campeonato Mundial Hachioji 2019

Resultados Brasileiros

Boulder (Total de Atletas: 104 Masc/89 Fem)
Thais Makino – 61º
Cesar Grosso – 69º
Bianca Castro – 79º
Felipe Ho – 95º

Dificuldade (Total de Atletas: 99 Masc/92 Fem)
Cesar Grosso – 56º
Bianca Castro – 59º
Thais Makino – 76º
Felipe Ho – 84º

Velocidade (Total de Atletas: 99 Masc/83 Fem)
Felipe Ho – 43º
Thais Makino – 63º
Bianca Castro – 73º
Cesar Grosso – 78º

Combinado (Total de Atletas: 84 Masc/73 Fem)
Thais Makino – 58º
Felipe Ho – 63º
Bianca Castro – 61º
Cesar Grosso – 66º

Sem Respostas para "Time Brasileiro melhora desempenho no Mundial de Escalada e mira no Panamericano"


    Tem algo a dizer?

    Algum HTML está OK